Pesquisa do Instituto Locomotiva mapeia a visão do consumidor sobre e-commerces internacionais
Categoria: Boletim ABVTEX em Pauta | 15 de janeiro de 2026

Levantamento do Instituto Locomotiva, divulgado em dezembro de 2025, reuniu 2.500 entrevistas nacionais com brasileiros de 18 anos ou mais e ajuda a qualificar o debate público sobre a atuação de plataformas internacionais de e-commerce, especialmente nos temas de tributação, regras de mercado e proteção ao consumidor.
No recorte de compras, 67% dos entrevistados afirmam ter adquirido produtos em plataformas internacionais nos últimos três meses. Entre os que compraram, roupas aparecem como a categoria mais frequente, citada por 74%, o que reforça a relevância do tema para a cadeia da moda e para o varejo nacional.
Quando o foco é tributação, a pesquisa indica percepção ampla de desequilíbrio. Para 83% dos entrevistados, é injusto que produtos fabricados no Brasil paguem mais impostos do que itens vindos de outros países. O dado se conecta diretamente ao debate sobre isonomia tributária, ou seja, a defesa de que diferentes operadores que vendem no mercado brasileiro estejam sujeitos a regras equivalentes de taxação e fiscalização, evitando a concorrência desleal. Na prática, o entendimento captado pelo estudo sugere que parte expressiva dos consumidores reconhece que diferenças tributárias podem influenciar preços e condições de competição, favorecendo plataformas internacionais em detrimento de empresas instaladas no país, com efeitos sobre investimentos, geração de empregos e arrecadação.
Além da questão das taxas, o levantamento também associa a discussão de isonomia regulatória, que se refere ao cumprimento de normas e à responsabilização de quem comercializa. Segundo a pesquisa, 79% avaliam que produtos vendidos pelas plataformas de e-commerce internacionais no Brasil sem obedecer a exigências de órgãos como Inmetro e Anvisa representam risco aos consumidores, e 82% defendem fiscalização com apreensão de mercadorias e punição ao site quando houver inadequação às normas. Na leitura do consumidor, portanto, a ideia de regras iguais não se limita ao imposto, mas também envolve conformidade, controle e responsabilização.
No eixo de experiência de compra, o estudo aponta que 93% dizem conhecer alguém que teve algum problema em compras internacionais e 80% afirmam ter vivenciado pessoalmente situações como atraso na entrega, baixa qualidade de produto e divergência entre anúncio e produto entregue. Esse cenário tende a reforçar, na opinião pública, a demanda por critérios mais claros de cobrança, fiscalização e aplicação das mesmas obrigações para todos os players que atuam no mercado brasileiro, nacionais ou internacionais.



