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TECNOBLU MOSTRA A FORÇA DA ETIQUETA NOS NEGÓCIOS DO SETOR TÊXTIL PDF Imprimir E-mail
Ter, 05 de Setembro de 2017 18:02

Empresa foi convidada pelo Comtextil a contar como conseguiu transformar um produto de baixa relevância em alto valor agregado, com potencial para alavancar as vendas do setor de vestuário.

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Uma pesquisa do Instituto Têxtil dos Estados Unidos elaborada em 2014 concluiu que uma peça de roupa com uma boa identificação tem 79% mais atratividade aos olhos do consumidor do que um vestuário com uma etiqueta ruim. O mesmo levantamento indicou que uma etiqueta bem percebida pelo consumidor pode fazer com que pague até 21% a mais pelo produto, sinalizando o poder do rótulo na decisão de compra e nas vendas. Esse potencial de transformar um pequeno pedaço de pano num agregado de alto valor competitivo é o que está por trás do sucesso da Tecnoblu Yor ID, empresa catarinense do setor de etiquetas, na cidade de Blumenau, convidada do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Fiesp para contar sua história, tida como um case de sucesso não apenas entre seus pares do setor, mas no mercado brasileiro como um todo.

“A Tecnoblu é um exemplo vivo do que é uma agenda positiva , uma empresa que fez das dificuldades um caminho para o sucesso e que mostrou como tornar um produto relativamente comum como as etiquetas de roupas, de baixa expressão, num sucesso espetacular de mercado”, disse Elias Miguel Haddad, diretor titular do Comtextil e coordenador do evento, realizado na última semana, na sede da Federação.

Foi há 20 anos, dentro de um porão, que Cristiano Buerger, junto com dois amigos, fundou a Tecnoblu, onde hoje ocupa o cargo de CEO. Mesmo com experiência anterior no ramo de etiquetas têxteis, na área de vendas e como representante comercial, Buerger conta que o início não foi nada fácil. “No primeiro mês faturamos R$ 17 mil, no 10º mês, R$ 230 mil, um crescimento fantástico. Mas veio a crise e no 12º estávamos quebrados, com 161 títulos protestados nos meses seguintes”, diz. Como fornecedora de etiquetas para jeans e com o caixa apertado, Buerger e seus sócios arregaçaram as mangas, abriram mão de representantes de vendas e foram pessoalmente ao mercado para economizar o dinheiro das comissões e assim quitar as dívidas. Foi quando a dificuldade virou oportunidade. “Essa necessidade de irmos pessoalmente nos levou a conhecer o mercado do Brasil inteiro”, diz Buerger.

Em 1999, com as finanças já equilibradas, foi criado um Conselho Consultivo formado por profissionais com experiência, alguns, amigos do pai de um deles, outros, amigos do sogro. E assim, com experiência e sem a formalidade dos consultores de mercado, a cada 45 dias ao menos o conselho orientava os três sócios. “Esse Conselho Consultivo foi determinante para a empresa achar seu caminho”, fala o CEO da Tecnoblu. O fim da crise financeira da empresa veio acompanhado de uma mudança no foco dos negócios. De uma fornecedora de etiquetas para jeans a Tecnoblu passou a ter um novo olhar sobre o mercado, com o desenvolvimento de books de tendências mundiais. “Nosso projeto era levar uma identidade bacana, diferente de tudo o que a gente conhecia em termos de etiqueta, porque só a marca não carrega mais sozinha a venda”, diz Buerger.

Cristiano Buerger (segundo da dir. para a esq.), CEO da Tecnoblu, conta como transformu uma simples etiqueta de vestuário em um case de sucesso. foto: Hélcio Nagamine/Fiesp

Mercado externo

O caminho até esse novo olhar foi trilhado pelas feiras internacionais, das quais os sócios trouxeram mais mudanças. Após constatarem em uma dessas feiras que o que faziam ainda estava muito aquém do mercado europeu, os três sócios decidiram lançar o primeiro book de tendências no setor de etiquetas na América Latina. Batizado de Floripa, a inovação, conta Buerger, abriu para a empresa uma nova maneira de trabalhar o mercado. Onze anos após o início das atividades, em 2005, a Tecnoblu se uniu a empresas de nome no setor têxtil, como a Karsten, Dudalina, Hering, Marisol, Altenburg, por exemplo, e criaram o Santa Catarina Moda e Cultura (SCMC), definida por Buerger como “uma forma interessante de rever o plano estratégico do negócio e criar uma marca forte”.

O CEO da Tecnoblu cita a viagem à China, em 2008, como uma das grandes experiências levadas para dentro do seu negócio. “Encontrar algo completamente diferente do visto na Europa nos fez ver que, seguramente, as marcas europeias têm um valor espetacular, mas a Europa é um continente de classe média alta e o Brasil, de classe média baixa. Ainda que tivéssemos um projeto de Europa não cabia no volume que precisaríamos ter para crescer nos anos seguintes. Então achamos que mesclar um pouco do modelo europeu com o asiático caberia no nosso projeto e de fato virou o nosso modelo”, diz o executivo. Até então a Tecnoblu fabricava etiquetas para jeans e era reconhecida por isso. Mas a partir da experiência chinesa definiram ter um mix completo de aviamentos como parte de sua nova identidade.

Os passos seguintes foram o mercado de etiquetas bordadas, de tecido, emborrachados e outros materiais, além de grampos. “Foi quando decidimos que traríamos para o Brasil a melhor tecnologia do mundo para as tags, as etiquetas de papel”, diz Buerger, ao comprarem maquinário especial, de alta tecnologia. Junte-se a isso uma estratégia inovadora e ousada e pronto: a Tecnoblu produz mensalmente hoje 6 milhões de etiquetas, tags e lacres, além de complementos decorativos para clientes como Sawary, Le Lis Blanc, Fórum, Colcci, Animale, Malwee, entre outros. “Temos hoje na Zara nosso grande show room”, conta o executivo.

Entre as decisões inovadoras da Tecnoblu que também mudaram o conceito de trabalhar esse mercado está a criação de um estúdio, o ET – Estúdio Tecnoblu, onde uma equipe multidisplinar desenvolve os books. “Lançamos atualmente 8 books por ano com mais de 1.000 produtos inéditos ao todo a cada ano, de diversos materiais cores e texturas, o que nos fez sermos convidados para fazer parte do Endeavor Brasil, organização global com foco nos empreendedores que ousam transformar, promover mudanças. Buerger é atualmente um empreendedor Endeavor. A mesma ousadia e originalidade levou a Tecnoblu a figurar como a primeira empresa de aviamentos da América Latina a ser convidada a expor nas feiras Mod’amont e Denim by Première, em Paris.

 

Fonte: http://www.fiesp.com.br/noticias/tecnoblu-mostra-a-forca-da-etiqueta-nos-negocios-do-setor-textil/

 
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